A temporada de balanços do terceiro trimestre escancarou a virada das mineradoras de bitcoin para a infraestrutura de inteligência artificial. Enquanto a receita de mineração despenca, os contratos de aluguel de capacidade para data centers se tornam a principal fonte de faturamento — e algumas companhias já marcaram data para deixar a atividade que as tornou conhecidas.

TeraWulf: 83% da receita agora vem de data centers

A TeraWulf (Nasdaq: WULF) reportou nesta sexta-feira (6) receita de mineração de ativos digitais de US$ 13,2 milhões no terceiro trimestre, uma queda de cerca de 69% ante os US$ 43,4 milhões de um ano antes. No sentido oposto, a receita de aluguel de computação de alto desempenho (HPC) chegou a US$ 63 milhões, salto de 774% sobre os US$ 7,2 milhões do mesmo período de 2025.

O resultado fez o HPC responder por 83% da receita total, de US$ 76,2 milhões — alta de 51% na comparação anual. Um ano antes, essa fatia era de apenas 14%. A virada se apoia num contrato de 20 anos com a Anthropic no campus Justified, no Kentucky, que cobre cerca de 401 MW de capacidade crítica e aproximadamente US$ 19 bilhões em receita contratada no prazo inicial. O Google ofereceu garantia de crédito para o financiamento do projeto, e a Fluor detém o contrato de engenharia. A primeira capacidade é esperada para o fim de 2027.

O custo da transição pesou: o prejuízo operacional subiu para US$ 88,2 milhões, ante US$ 24,7 milhões, e o EBITDA ajustado ficou negativo em US$ 12,8 milhões.

IREN marca a saída

A IREN vai além e planeja concluir a saída da mineração de bitcoin em larga escala até 31 de dezembro de 2026, mantendo apenas operações residuais ao longo de 2027. No trimestre encerrado em 30 de setembro, a receita de mineração caiu 58% na comparação com o trimestre anterior, para US$ 28 milhões, e cerca de 88% ante os US$ 233 milhões de um ano antes. A produção recuou para 402 bitcoins, contra 2.039 um ano antes.