Os países produtores de petróleo da OPEP+ chegaram a um acordo em princípio para manter inalteradas as metas de produção em dezembro, segundo três fontes a par do assunto ouvidas pela Reuters neste sábado (31). O entendimento aponta para a manutenção da política de oferta atual, com o grupo voltando o foco para a negociação das cotas de 2027.

O aval formal depende da reunião online dos sete membros principais do bloco, marcada para este domingo (1º), com participação de Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Argélia, Cazaquistão e Omã. O grupo completo volta a se reunir em novembro.

O que já estava decidido

Manter as metas de dezembro preserva a política de produção que o grupo vinha seguindo. No encontro anterior, os produtores já tinham mantido os níveis de oferta diante das incertezas no mercado global de petróleo.

Em setembro, a OPEP+ concluiu a reversão gradual de um corte de oferta de 1,65 milhão de barris por dia (bpd), acordado originalmente em 2023. Sobre a mesa, continua uma segunda camada de restrições: cerca de 2 milhões de bpd em cortes que seguem em vigor para a maior parte dos membros até o fim de 2026.

Produção abaixo da meta

Há uma distância crescente entre a meta de papel e o petróleo que de fato chega ao mercado. Os membros do Golfo vinham elevando as exportações, que ficaram prejudicadas por meses por causa da guerra no Irã e das restrições no Estreito de Ormuz, e a maioria dos produtores ainda extrai volumes bem abaixo de suas cotas.

Para o investidor, isso significa que a decisão de domingo mexe mais com as expectativas do que com o fluxo de barris no curto prazo: a oferta que chega ao mercado nos próximos meses depende mais da recuperação física das exportações do que da meta anunciada.

O grupo e seus dois andares de corte

A OPEP+ reúne a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados, entre eles a Rússia. Na prática, a política de oferta funciona em dois andares: o corte coletivo de cerca de 2 milhões de bpd, que vale até o fim de 2026, e os cortes voluntários que cada país se comprometeu a fazer em separado — camada em que a reversão já foi concluída em setembro.

As cotas de 2027 entram no centro

A decisão de dezembro é, na prática, um adiamento. Antes de definir como os cortes remanescentes poderão ser revertidos, a OPEP+ precisa concluir, ao longo do quarto trimestre, uma revisão da capacidade de produção de seus integrantes. Essa avaliação servirá de base para os níveis de referência de produção de 2027, que determinarão as futuras cotas e o ritmo de retirada dos cortes ainda em vigor.

A questão pesa porque define o teto para quando a produção voltar ao normal. Se o limite de 2027 for folgado, o mercado pode enxergar mais oferta à frente e o petróleo tende a ceder; se for apertado, o barril pode seguir caro mesmo com as exportações do Golfo recuperadas.

O pano de fundo do preço

O cenário é de preços ainda pressionados por tensões no Oriente Médio. Nesta sexta-feira (30), o petróleo voltou a subir em meio a novos ataques e incertezas na região — movimento que, no Brasil, chega ao investidor por duas vias: o custo de combustíveis e a inflação, que por sua vez influencia as apostas sobre juros.

O que observar

Três sinais devem ser acompanhados nas próximas semanas. O primeiro é o comunicado da reunião de domingo, que transforma o acordo em princípio em decisão formal. O segundo é o ritmo de recuperação das exportações do Golfo e das restrições em Ormuz, que define se a produção real se aproxima das metas. O terceiro é a primeira indicação concreta sobre as bases de 2027 — a sinalização que o mercado vai usar para precificar a oferta do ano que vem.

Foto: C.Stadler/Bwag, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

Esta matéria tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.