Factor investing, ou investimento em fatores, pode ser entendido como uma estratégia em que os ativos da carteira são escolhidos a partir de fatores que impactam seu desempenho.
A proposta do factor investing é verificar quais ativos têm um potencial maior de rentabilidade. Ao mesmo tempo, a ideia é evitar riscos desnecessários.
Para alcançar esse equilíbrio, são utilizados modelos quantitativos de análise no factor investing. Ou seja, todas as decisões são tomadas a partir de dados. Como exemplo, preço do ativo e informações financeiras da companhia.
Assim, também se alcança a diversificação entre segmentos de atuação e os fatores de investimentos. É por isso que se torna possível potencializar a rentabilidade e reduzir os riscos simultaneamente.
TIPOs de fatores interferem no retorno dos ativos
Vários aspectos podem intervir no rendimento dos diferentes ativos. A análise do factor investing divide-os em duas principais categorias de fatores:
MacROEconômicos
Na prática, são eventos sistêmicos e amplos, que impactam todas as categorias de ativos de maneira conjunta. Assim, interferem na rentabilidade das aplicações financeiras do Brasil e até do mundo inteiro. Entre os principais estão:
- inflação;
- taxa de juros;
- crédito;
- Produto Interno Bruto (PIB);
- taxa de desemprego;
- câmbio.
Fatores de estilo
São fatores que impactam categorias específicas de ativos. Por isso, são adotados para montar uma estratégia e uma carteira de investimentos. Os principais para aplicar em ações são:
- valor: os indicadores da análise fundamentalista relacionam o preço do ativo com informações do balanço patrimonial. Como exemplo, indicador Preço/Lucro (P/L), Preço sobre Valor Patrimonial por Ação (P/VPA) e Valor de Firma por Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (EV/EBITDA);
- qualidade: busca saber se a empresa tem uma boa gestão financeira. Entre os indicadores usados estão o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) e a Dívida Líquida sobre Patrimônio Líquido;
- volatilidade: a preferência tende a ser pela menor oscilação. Assim, o risco da carteira é controlado;
- momento: abrange a tendência. Assim, os ativos com alta nos meses anteriores são privilegiados. Nessas situações, há chance de reversão de tendência. Assim, é necessário adequar a composição da carteira e o modelo de investimento com o passar do tempo;
- tamanho: o longo prazo do factor investing permite escolher empresas menores para investir. Especialmente, small caps e micro caps. A razão é que elas apresentam maior potencial de crescimento;
- dividend yield (indicador de dividendos): a distribuição de lucros pode ocorrer por meio de dividendos. Isso acontece de forma parcial ou integral. Outro ponto relevante é que, os ganhos podem ser usados para o reinvestimento no negócio.
Vale a pena ressaltar que há fatores de estilo para a renda fixa também. Por exemplo:
- duração, ou seja, o prazo de vencimento dos títulos;
- riscos políticos;
- possibilidade de calote;
- risco de catástrofe e outros.
Como essa estratégia funciona
O objetivo é usar os fatores como a base da carteira. Assim, eles consistem em forças que levam à geração de rendimentos. Nesse contexto, a estratégia de factor investing é uma gestão que fica entre a ativa e a passiva.
A razão é que uma gestão ativa é efetivada no processo de escolha dos fatores. Por outro lado, também é passiva, porque as operações de compra e venda seguem critérios predefinidos.
Em uma análise financeira, afinal, a busca é por retornos acima do mercado junto a um método de alocação transparente, simplificado e embasado em diferentes regras. Inclusive, esse é o motivo pelo qual muitos investidores optam por esse modelo de investimento.
Por isso, é importante considerar essas informações antes de tomar suas decisões de investimento. Com isso, há chance de equilibrar mais a carteira e garantir a diversificação.
Ainda assim, adotar o factor investing pode ser desafiador. Afinal, vários indicadores são usados. Por isso, é preciso focar a educação financeira para fazer boas escolhas.