O mercado viveu um dia de forte aversão ao risco após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que precisou virar o jogo em poucas semanas. Justamente por isso, um banqueiro da Faria Lima ouvido pelo Money Times avalia que o governo Lula 4 pode ser melhor do ponto de vista fiscal do que foi o Lula 3.

A tese é de que a virada nas urnas nasceu de um movimento espontâneo da sociedade civil, que "se assustou com o que vinha do outro lado". Para esse interlocutor, o eleitorado cobrará de Lula foco nos temas que mais tiram o sono da população.

  • Déficit fiscal e juros altos;
  • Criminalidade;
  • Abusos e corrupção no Judiciário.

"Esses pontos terão de ser endereçados", afirmou.

A vantagem nas urnas

Lula foi eleito com 51,79% dos votos válidos, ou 64,2 milhões, contra 48,21% (59,8 milhões) de Flávio Bolsonaro (PL). A diferença de mais de 4,4 milhões de votos também afasta, na visão do mercado, o risco institucional de contestação do resultado — hipótese que especialistas consideram remota, ainda que o senador tenha dito que pedirá a anulação da eleição.

Quem será o ministro da Fazenda?

Com o resultado definido, o mercado passou a calcular quem assumirá a Fazenda. Para esse banqueiro, o nome dos sonhos é Mansueto Almeida, hoje economista-chefe do BTG Pactual e uma das maiores referências do país quando o assunto é contas públicas.

O favoritismo, porém, parece estar com o atual vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSD), que na avaliação do banqueiro seria o melhor nome dentro do governo. Outro postulante é o governador do Piauí, Rafael Fonteles — com uma ressalva: trata-se de um nome ainda pouco conhecido pelo mercado.

"Não conheço. Sei que tem um currículo brilhante como matemático e político", disse.

O que está em jogo

A discussão sobre a Fazenda ganhou peso porque a trajetória da dívida pública preocupa. A consultoria Capital Economics projeta que o endividamento passe de aproximadamente 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 para cerca de 95% ao fim do próximo mandato, em 2030.