O governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), afirmou nesta segunda-feira (26) que nunca tratou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre política econômica e afastou a possibilidade de assumir o Ministério da Fazenda no quarto mandato. O nome dele vinha sendo cotado dentro da campanha vitoriosa do PT, mas o governador recém-reeleito disse que pretende ser diplomado e cumprir o mandato no estado.

"Qualquer menção positiva ao nosso nome, a gente agradece, mas eu nunca tratei com o presidente da República sobre qualquer cargo, um eventual mandato dele, antes da eleição ou depois da eleição", declarou, em entrevista à Globonews.

O que ele disse sobre a Fazenda

Fonteles brincou que tem em casa um exemplar de "O Pior Emprego do Mundo", livro do jornalista Thomas Traumann — que é um dos entrevistadores na bancada. O tom leve, porém, não escondeu o recado: ele disse que espera ser diplomado no cargo para o qual foi eleito, em janeiro, e que não passa pela cabeça abandonar o mandato.

O governador contou que se aproximou de Lula durante o segundo turno, mas evitou entrar no mérito de quem comandará a economia no próximo governo. Segundo ele, a política econômica do mandato que começa em 2027 é assunto do próprio presidente, que falará "no momento oportuno".

Reação do mercado

Sobre a reação dos mercados à vitória de Lula — bolsa em forte queda, circuit breaker acionado e dólar disparando —, Fonteles disse que vê o movimento com naturalidade. Para ele, os investidores seguiram as pesquisas e já haviam precificado uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL).

"Temos que esperar alguns dias para ver como vai ser o comportamento desses investidores, para ver o que isso, de fato, vai afetar a economia real", afirmou.

O recado fiscal

Fonteles reforçou que o presidente tem compromisso com as contas públicas e previu que isso será reconhecido pelo mercado em breve. Ele ponderou, porém, que economia não é ciência exata, mas uma ciência social construída com modelos matemáticos.