No primeiro discurso após a confirmação da reeleição pelo TSE — às 21h08 de domingo (25), com 97% das urnas apuradas, Lula 51,74%, Flávio Bolsonaro 48,26% —, Luiz Inácio Lula da Silva fez a leitura mais direta até agora sobre o que considera ter sido um dos fatores decisivos na disputa: a atuação de plataformas digitais estrangeiras no processo eleitoral brasileiro.
A tese da 'intromissão'
"Tenho que agradecer aos que coordenaram a campanha, ao povo brasileiro e à generosidade da juventude brasileira que foram para as ruas e às pessoas idosas. Conseguimos convencê-las de que o voto é importante para a democracia."
Sem citar nominalmente nenhuma big tech ou governo estrangeiro, Lula usou o termo "intromissão" para descrever a influência das plataformas digitais no resultado da eleição — uma linguagem que remete diretamente ao debate sobre interferência externa em eleições que marcou as disputas nos Estados Unidos e na Europa nas últimas décadas.
A frase mais concreta do discurso foi: "O crime do mundo digital tem de ser tratado como o crime da vida real." É, até agora, a definição mais curta e operacional que o governo petista deu sobre a regulação que pretende fazer das redes sociais no novo mandato — e que deve se traduzir em projeto de lei ou medida provisória nos primeiros meses de 2027.