O açúcar derretia no mercado internacional nesta segunda-feira (26), na esteira da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto as ações de usinas sucroenergéticas tombavam na bolsa brasileira. Para o analista Marcelo Di Bonifácio, da StoneX, o principal fator por trás da queda da commodity é o movimento do dólar.

Por volta das 15h12, o contrato futuro do açúcar com vencimento em março de 2027 recuava 5,63% na bolsa de Nova York, cotado a US$ 0,1910 por libra-peso.

As ações na B3

O efeito foi ainda mais forte nas empresas do setor listadas na B3, que reagiram à disparada do câmbio:

  • São Martinho (SMTO3): -7,13%;
  • Jalles (JALL3): -19,47%;
  • Raízen (RAIZ4): -23,26%.

Por que o dólar vira vilão do açúcar

Segundo Di Bonifácio, o mercado já se preparava para o resultado eleitoral, e parte das usinas pode ter aproveitado a movimentação do dólar para antecipar vendas e garantir preços. Para produtores de commodities, a volatilidade cambial abre oportunidades de comercialização em condições mais favoráveis — e esse movimento pressiona as cotações.

"O analista avalia que a volatilidade cambial cria oportunidades para produtores de commodities, que podem buscar condições mais favoráveis de comercialização", pondera.

O peso dos fundos

Outro fator que intensifica a queda é o posicionamento dos fundos de investimento. Segundo a StoneX, esses agentes atingiram, nas duas semanas anteriores, um volume recorde de posições compradas brutas no açúcar. Com exposição elevada, parte dos investidores pode liquidar posições diante de notícias negativas, ampliando a pressão sobre os preços.

Di Bonifácio ressalta que a combinação entre dólar, vendas das usinas e realização de lucros ou redução de posições pelos fundos explica a intensidade do movimento. Na avaliação dele, não houve, até o momento, outro fator relevante.