A Core Scientific, que já foi a maior mineradora de bitcoin do mundo, vendeu 816 moedas — 96% de suas reservas — e anunciou o encerramento das operações de mineração. O movimento foi informado na quinta-feira (5), no relatório trimestral da companhia.
No documento, a empresa afirma que vai concentrar os recursos em data centers voltados à inteligência artificial e à computação de alto desempenho (HPC). A estratégia reduz a influência da volatilidade do bitcoin sobre os resultados operacionais e, segundo a companhia, aumenta o valor de longo prazo de sua infraestrutura.
Mineração encerrada até o fim do ano
A Core Scientific diz manter uma estrutura própria de mineração em duas instalações e prestar serviços de mineração hospedada a um último cliente. A previsão é encerrar as operações hospedadas até 31 de dezembro de 2026, enquanto a mineração própria é reduzida gradualmente.
Em 2022, a companhia pediu recuperação judicial nos Estados Unidos, no processo conhecido como Chapter 11, e saiu da falência cerca de um ano depois.
A quarta mineradora a vender bitcoin na semana
A venda da Core Scientific não foi um caso isolado. Na mesma semana, a Riot vendeu 8.962 bitcoins, a Hut 8 se desfez de 3.102 e a Keel Infrastructure, antiga Bitfarms, revelou ter vendido todos os seus 2.520 bitcoins.
O comportamento é homogêneo entre as mineradoras, que vêm migrando para a IA desde 2023. A própria Core Scientific anunciou em 2024 que alocaria cerca de 200 megawatts à indústria de inteligência artificial.
Hashrate segue alto
Apesar da debandada, o hashrate da rede bitcoin, medida do poder computacional que sustenta a blockchain, continua elevado. As vendas de reservas e a saída da mineração, portanto, ainda não se refletiram na segurança da rede.