Com o primeiro turno das eleições presidenciais já digerido pelo mercado, os estrategistas do Morgan Stanley voltaram a apontar espaço de alta para as ações brasileiras. Na análise divulgada nesta semana, o banco estima que o Ibovespa ainda pode subir cerca de 50% em termos dolarizados e destaca dois nomes com potencial expressivo no cenário otimista: Nubank (ROXO34), com projeção de ganho de 99%, e Axia Energia (AXIA3), com possibilidade de alta de 92%.

A tese por trás dos números

A leitura do Morgan Stanley é que a valorização recente da Bolsa brasileira não eliminou as perspectivas de novos ganhos. O relatório observa que cerca de 75% das ações que integram o Ibovespa passaram a ser negociadas acima de suas médias móveis de 200 dias após o resultado do primeiro turno — sinal de que a alta alcançou uma parcela expressiva do mercado, mas, na avaliação do banco, abriu espaço para uma fase de ampliação dos ganhos.

Para os estrategistas, o mercado brasileiro entrou em estágio de expansão: o risco político se reduziu com o desenrolar da disputa presidencial e agora o foco passa a ser a execução das empresas, num horizonte que considera mudanças na política econômica começando a aparecer nos balanços.

O portfólio modelo do banco

Na carteira recomendada para o Brasil, Nubank e Axia Energia são as apostas com maior potencial de valorização no cenário otimista. Outras companhias também aparecem entre as oportunidades identificadas: Banco do Brasil (BBAS3), Raia Drogasil (RADL3), Smart Fit (SMFT3), Copasa (CSMG3), Bradesco (BBDC4), Localiza (RENT3) e Rede D'Or (RDOR3).

O portfólio modelo utiliza múltiplos de preço sobre lucro projetados para 2028 e 2029 — um horizonte pensado justamente para capturar o período em que possíveis mudanças na política econômica comecem a se refletir nos resultados das companhias.

Quem compõe a carteira

Na composição do portfólio modelo, os maiores pesos são:

  1. Petrobras (PETR4) — 18,7% da carteira
  2. Axia Energia (AXIA3) — 8,5%
  3. B3 (B3SA3) — 6,7%
  4. BTG Pactual (BPAC11) — 6%
  5. Sabesp (SBSP3) — 5,8%
  6. Embraer (EMBJ3) — 5,7%

A Vale (VALE3) responde por 10,9% da carteira e o Itaú Unibanco (ITUB4), por 10,6%, completando as posições relevantes entre as grandes companhias brasileiras.

Como ler uma recomendação assim

Alvos de preço de bancos estrangeiros devem ser lidos como cenário, não como promessa: eles dependem de premissas macroeconômicas — câmbio, juros, commodity e política fiscal — que podem mudar antes de 2028. O cenário "otimista" do Morgan Stanley é um dos extremos do leque de possibilidades; o mesmo banco costuma publicar também cenários base e pessimista, com alvos bem menores para as mesmas ações.

Três pontos merecem atenção ao interpretar esse tipo de relatório:

  • O horizonte é longo: alvos projetados para 2028/2029 assumem que nada de estrutural muda no meio do caminho — nem em Brasília, nem nos balanços das próprias empresas.
  • Câmbio importa: a projeção de "50% em dólar" para o Ibovespa significa que parte da alta esperada depende de uma leitura sobre o real frente ao dólar, não apenas de resultados locais.
  • Concentração na carteira: quase um quinto do portfólio está em Petrobras, e os cinco maiores pesos somam mais de 47% — se a tese errar nesses nomes, o impacto no retorno total é desproporcional.

Contexto: por que agora?

A análise chega depois de semanas de forte valorização dos ativos brasileiros, impulsionadas pela dinâmica do primeiro turno e pela percepção de redução de risco político. Quando uma bolsa sobe rápido, a discussão costuma girar em torno de "quanto já foi precificado" — e o relatório do Morgan Stanley responde justamente essa pergunta com um número: cerca de 50% ainda podem vir por cima.

A escolha de Nubank como destaque faz sentido dentro dessa lógica: é uma das poucas grandes companhias brasileiras com crescimento estrutural de receita, margens elevadas e exposição global via BDR — o tipo de ativo que bancos internacionais costumam preferir quando avaliam a bolsa brasileira num cenário de fluxo estrangeiro positivo.

O que observar daqui para frente

  • A confirmação do segundo turno e a definição de alianças no Congresso, que afetam diretamente a agenda econômica dos próximos dois anos.
  • Os próximos balanços das companhias citadas — especialmente Nubank e Axia Energia, cujos alvos dependem de crescimento acima do consenso atual.
  • O fluxo de capitais estrangeiros para a B3: se a tese de ampliação de ganhos estiver certa, o volume médio negociado deve sustentar os níveis elevados das últimas semanas.
A avaliação do Morgan Stanley é que ainda existe espaço para valorização, apesar da disparada recente dos ativos brasileiros.

Este artigo resume a análise divulgada pelo banco e não constitui recomendação de investimento. As projeções citadas pertencem ao cenário otimista do relatório e dependem das premissas macroeconômicas adotadas pela equipe estrategista.