As butiques de gestão de fortunas Portofino e Est anunciaram nesta terça-feira (3) a fusão de seus negócios. Com a operação, a Portofino incorpora cerca de R$ 5 bilhões em ativos e ultrapassa a marca de R$ 40 bilhões sob gestão — ganho de escala num mercado de multi family office que vinha se movendo por aquisições.
A equipe da Est será incorporada à Portofino e seus sócios-fundadores — Deiwes Rubira, Gilberto Cesar Filho e Marcelo Bresser Pereira — passam a compor o quadro societário da companhia, no partnership da casa.
O que cada casa traz
A Portofino foi fundada em 2012 por Carolina Giovanella e o irmão Enzo, originalmente para cuidar do patrimônio da própria família. Hoje é liderada também por Carlo Zanandrea, marido da executiva e ex-BTG. A estrutura tem escritórios em São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Recife e Manaus, além de um braço no exterior.
A Est, que passa a ser incorporada, acumula mais de 25 anos de operação e R$ 5 bilhões sob gestão. Do total de ativos, 25% estão no exterior, e 75% dos clientes estão com a casa há mais de cinco anos — dois números que a Portofino usa para justificar o interesse na operação.
Com o acordo, profissionais da Est passam a integrar uma estrutura multidisciplinar, com especialistas em estratégia e gestão de investimentos no Brasil e no exterior, ativos imobiliários, operações de fusões e aquisições e planejamento patrimonial. A Est traz ainda uma equipe especializada em crédito, complementar ao que a Portofino já fazia.
Independência como argumento
O racional divulgado pelas duas casas não é de consolidação por escala, e sim de complementaridade. Carolina Giovanella diz não enxergar a operação apenas como movimento de consolidação:
Acreditamos que crescer é importante. Isso nos permite investir continuamente em estrutura, tecnologia, conhecimento e profissionais altamente qualificados, além de ampliar nossa capacidade de acesso a oportunidades e condições mais competitivas para os clientes.
A executiva afirma que, ao longo das conversas, ficou claro que a Est buscava um próximo passo que permitisse ampliar sua estrutura e oferecer soluções mais completas aos clientes, preservando uma relação de confiança construída ao longo de mais de 25 anos.
A independência foi fundamental nessa decisão. Compartilhamos a convicção de que cuidar do patrimônio de uma família exige liberdade para recomendar as melhores soluções, sem conflitos de interesse ou vínculos que possam comprometer essa orientação.
Do lado da Est, o sócio-diretor Marcelo Bresser Pereira descreve a mesma lógica: a casa chegou a R$ 5 bilhões sob gestão e, para continuar aprimorando o que oferece, precisava ampliar estrutura, capacidade de acesso e profundidade das soluções.
O que muda para o cliente
Os clientes das duas casas continuam sendo acompanhados pelos profissionais com quem já têm relacionamento, segundo o comunicado. A operação fortalece a presença da Portofino no Estado de São Paulo, onde a Est tem sua base.
A Portofino antecipa estar aberta a novas aquisições, desde que façam sentido para as famílias que atende — não apenas pelo aumento do patrimônio. A frase da CEO resume o critério:
Não queremos crescer a qualquer custo. Encontramos na Est uma combinação que consideramos fundamental: excelentes profissionais, independência e a mesma convicção sobre a forma de cuidar do patrimônio dos clientes.
O mercado em que isso acontece
A fusão ocorre num momento em que a gestão de patrimônio brasileira se profissionaliza e ganha escala: estruturas independentes, sem produto próprio, competem por famílias que comparam custo, acesso a gestores e qualidade do planejamento sucessório — e não apenas rentabilidade de curto prazo.
Para o cliente, a leitura prática de uma fusão desse tipo é simples. Ganha-se estrutura, acesso e poder de negociação com instituições e gestores; em troca, é preciso checar se a independência declarada se sustenta na prática, quem responde pela conta e se o time que atendia a família continua no lugar.
Fonte: Valor Econômico e Portofino Multi Family Office.
Foto: Francisco Anzola (edição de Rodrigo Tetsuo Argenton), via Wikimedia Commons (CC BY 3.0).
Esta matéria tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.