O primeiro pregão após o fim do segundo turno inverteu a tendência observada depois da primeira rodada de votações, com forte queda de ações sensíveis a juros. Nesta segunda-feira (26), o Ibovespa abriu com queda de mais de 16%, na casa dos 170 mil pontos.
Por volta de 10h57, o setor de varejo era um dos epicentros da sangria:
- Magazine Luiza (MGLU3): -48,38%;
- Assaí (ASAI3): -48,41%;
- Lojas Renner (LREN3): -38,07%;
- Azzas 2154 (AZZA3): -37,30%;
- Mercado Livre (BDR MELI34): -12,75%.
O setor de varejo é particularmente sensível à alta dos juros e, no mesmo horário, as taxas futuras disparavam, superando a casa dos 16% para vencimentos mais longos. A taxa básica de juros está em 13,75% ao ano.
Por que o varejo é o elo mais frágil
Varejistas dependem de crédito para o consumidor comprar e financiar parcelas, e carregam capital de giro sensível ao custo do dinheiro. Quando a curva de juros futuros abre com força, o mercado desconta dois efeitos ao mesmo tempo: encarecimento do financiamento ao cliente e aumento do custo de rolagem de dívida das próprias companhias.
Como o mercado estava em grande parte posicionado para uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL) — visto como mais alinhado a uma agenda de ajuste fiscal —, o ajuste foi intenso e generalizado nas empresas mais alavancadas e mais dependentes de consumo doméstico.
O quadro político por trás do movimento
Lula venceu a disputa pelo Planalto com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do senador, uma diferença de 4,4 milhões de votos, anunciou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após uma eleição marcada por um adiamento de última hora no fechamento das urnas que levou o candidato derrotado a questionar o resultado.
Foto: Magazine Luiza, via Wikimedia Commons (CC BY 2.0).
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