Os títulos prefixados do Tesouro Direto registraram nesta segunda-feira (26) a maior alta diária de taxas da série histórica do Tesouro, iniciada em 2005, superando o recorde de março de 2020. O movimento veio no primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e mesmo depois de uma intervenção do Tesouro Nacional no mercado.

O Tesouro Prefixado 2032 passou de 12,89% ao ano no fechamento da sexta-feira (23) para 15,78% na abertura das negociações, às 12h13 — alta de 2,89 pontos percentuais. No mesmo intervalo, o Tesouro Prefixado 2029 foi de 12,76% para 15,40%, e o Tesouro IPCA+ 2050 subiu de IPCA + 6,42% para IPCA + 7,64%.

Um recorde histórico

Pelo critério da série histórica, o avanço do Prefixado 2032 supera os 206 pontos-base de 12 de março de 2020, no início da pandemia de Covid. Todos os prefixados à venda ultrapassam a marca de 2020 — inclusive o que menos sobe, o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037, com alta de 252 pontos.

Nos títulos atrelados à inflação, o IPCA+ 2032 sobe 134 pontos-base, a segunda maior alta diária do grupo na série, atrás apenas dos 162 pontos de 12 de março de 2020.

Com o salto, o Prefixado 2032 atinge a maior taxa da série do título, iniciada em fevereiro de 2025, superando os 15,14% de março daquele ano. O Prefixado 2029, a 15,40%, volta ao nível de janeiro de 2025. O IPCA+ 2050 também renova a máxima da série.

Abertura atrasada e intervenção

A plataforma do Tesouro Direto só abriu às 12h13, com quase três horas de atraso. Antes disso, em meio à disparada dos juros futuros, o Tesouro Nacional cancelou os leilões de títulos atrelados à inflação e de prefixados previstos para a semana e manteve apenas a oferta de LFT, atrelada à Selic.

Pouco depois, o órgão anunciou uma intervenção no mercado, com a recompra de até 5 milhões de NTN-F de cada um dos vencimentos de 2031, 2033 e 2037, em estratégia semelhante à adotada em março, durante a pressão causada pela guerra do Irã.