O dólar pode chegar a R$ 6 caso não haja sinalização de ajuste nas contas públicas nas próximas semanas, na avaliação do Morgan Stanley. Esse, porém, ainda não é o cenário-base do banco.
Em relatório a clientes divulgado nesta segunda-feira (26), dia seguinte à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o banco considera que, na ausência de ajustes, os investidores devem incorporar riscos de dominância fiscal aos preços dos ativos, levando o câmbio aos níveis de janeiro de 2025.
"Os preços de mercado começariam a incorporar altas de juros, e uma intervenção do Banco Central do Brasil (BCB) para estabilizar o real se tornaria mais provável", avaliam as estrategistas Ioana Zamfir e Sofia Palacios.
A dupla, contudo, não espera que o mercado passe diretamente a precificar dominância fiscal no curto prazo. "Os ativos brasileiros só precificaram esse cenário em duas ocasiões nos últimos 20 anos, o que indica que a barreira para sua materialização não é tão baixa quanto alguns participantes do mercado podem imaginar", afirmam.
Os três cenários do câmbio
Para as estrategistas, a valorização do dólar até R$ 6 está condicionada a etapas de deterioração das expectativas fiscais:
- Teste da marca de R$ 5,50, com a reversão da queda dos prêmios de risco observada após o primeiro turno — quando o mercado precificava vitória de Flávio Bolsonaro (PL). Esse movimento já foi observado nesta segunda-feira: na máxima intradia, o dólar foi cotado a R$ 5,6049 (+12,25%).
- Incorporação de um prêmio fiscal maior, levando o dólar à faixa de R$ 5,60 a R$ 5,70, com correção adicional de aproximadamente 100 pontos-base nas taxas locais — o que levaria os contratos de DI com vencimento em janeiro de 2029 a 15,50%. Esse é o cenário-base do banco.
- Ausência de sinalizações de ajuste fiscal, quando então o dólar poderia buscar R$ 6,00.
Sazonalidade contra o real
Para as estrategistas, a sazonalidade negativa do real em novembro e dezembro, decorrente de saídas de recursos de empresas e pagamentos de dividendos, pode intensificar a desvalorização da moeda.